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Notícias

14/05/2017 17:40

Sepromi participa do Bembé do Mercado e renova cooperação para políticas afirmativas

A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) participou neste sábado (13), em Santo Amaro, da 128ª edição da festa do Bembé do Mercado, considerado o maior candomblé de rua do mundo, tombado como Patrimônio Imaterial da Bahia. Durante o evento, que movimentou a região do Recôncavo baiano, o município renovou a adesão ao Fórum de Gestores Municipais de Políticas de Igualdade Racial. O ato, assinado pela secretária Fabya Reis e o prefeito Flaviano Bonfim, possibilita a realização de ações estratégicas e transversais voltadas à população negra, assim como políticas de combate ao racismo e à intolerância religiosa.

A medida foi articulada para acontecer durante o calendário emblemático de realização do Bembé, que faz alusão ao 13 de maio de 1888, dia de promulgação da Lei Imperial nº 3.353, a chamada Lei Áurea, destinada à extinção legal da escravidão no Brasil. “Trata-se de um dia de reflexão e ressiginificação deste período, uma vez podemos entender esse processo como uma abolição inacabada, de continuidade da luta para a liberdade plena. Com isso, reconhecemos a legitimidade das pautas históricas do movimento negro brasileiro, que segue na reivindicação e reafirmação da importância das políticas reparatórias”, afirmou a secretária, ao lado do presidente da comissão organizadora do Bembé, José Raimundo Chaves (Pai Pote) e demais representantes das religiões de matriz africana.

Ainda de acordo com a secretária, a participação de Santo Amaro no Fórum de Gestores Municipais de Políticas de Igualdade Racial tem grande importância pela presença expressiva da população negra e do conjunto dos segmentos tradicionais no Recôncavo baiano, matriz civilizatória do Brasil, ação que tem repercussão significativa junto aos demais municípios baianos.

Também estiveram presentes no ato o secretário de Cultura, Jorge Portugal, juntamente com a diretoria do Centro de Culturas Populares e Indentitárias (CCPI), Arany Santana, autoridades municipais, equipes das coordenações executivas da Sepromi, membros da (Cespct), além de integrantes do movimento negro, religiosos de matriz africana, pesquisadores, acadêmicos, dentre outros. As festividades foram encerradas neste domingo (14), com almoço de confraternização e a entrega do tradicional presente à Yemanjá, na Praia de Itapema.

O Bembé do Mercado - Após a chamada “abolição da escravatura” muitos fazendeiros inconformados resistiam a entender à nova realidade e, com a força política que detinham, ordenavam as prisões de negros e os impediam no direito de se locomoverem. Assim, muitos negros mantiveram a luta abolicionista e a atenção redobrada para garantir a conquista.

Os fazendeiros pressionavam os seus parlamentares para fazerem revogar a lei e ameaçavam a mobilidade dos libertos para garantir a força de trabalho.

Nas mobilizações e estratégias de resistência, foi realizado em 1889 o primeiro Bembé do Mercado, numa estrutura imitando uma senzala. O Bembé significou a luta do dia 14, uma afirmação da cidadania e da cultura do nosso povo. Também é uma simbologia à resistência religiosa de matriz africana contra a perseguição sofrida. O agradecimento é feito à Yemanjá através do presente que é colocado sempre, após os três dias de festa.

Patrimônio Imaterial - O Bembé do Mercado foi reconhecido pelo Decreto Estadual 14.129 de 2012, como Patrimônio Imaterial da Bahia pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), entidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). O órgão foi o responsável, inclusive, pelas pesquisas que transformaram a história do Bembé em livro e videodocumentário. Está disponível na coleção “Cadernos do IPAC”.Possui 160 páginas, mais de 170 imagens entre fotografias, mapas e infográficos, além do videodocumentário de 52 minutos.
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