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02/12/2017 20:00

Mestre Didi é homenageado com nome em viaduto e tombamento do Ilê Asipá

O sábado, 2 de dezembro, foi marcado pelo centenário do sacerdote afro-brasileiro e artista plástico Deoscóredes Maximiliano dos Santos (Mestre Didi), em Salvador. Integrando a agenda de comemorações, o Governo do Estado, por meio das secretarias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e de Cultura (SeculBA), nomeou o "Viaduto Mestre Didi", na Avenida Orlando Gomes. e oficializou o tombamento do Ilê Asipá, comunidade fundada pelo religioso, no bairro Piatã. Os atos contaram com a presença de familiares, integrantes do terreiro, autoridades, artistas e acadêmicos.

"Mestre Didi não foi só mentor do Ilê Asipá, mas de todos nós. Hoje, diariamente, seus discípulos praticam e preservam a religião afro-brasileira com o rigor que o líder sempre ensinou", pontuou o alabá Genaldo Novaes, em nome da casa religiosa, durante o evento. Ele destacou a sapiência e humildade que sempre foram as marcas do sacerdote, falecido em 2013.

Representando o governador Rui Costa, o secretário da Casa Civil, Bruno Dauster, ressaltou a importância das medidas tomadas durante as celebrações da Década Internacional Afrodescendente. "O Governo do Estado abraçou a ideia de efetivar o tombamento do Ilê Asipá e colocar o nome do Mestre Didi num viaduto, sem dúvidas, para que ele tivesse uma presença pública ainda mais marcante em Salvador. Assim, certamente será eterno na lembrança de todos nós", afirmou Dauster.

A secretária da Sepromi informou os trâmites do governo até a concretização das homenagens, segundo ela, executados de forma transversal. “Um conjunto de dirigentes, servidores e organismos foi mobilizado para a realização destas importantes entregas. Uma ação continuada que culminou no dia do aniversário deste grande líder. Marcamos na histórica os legados e contribuições de um homem de múltiplos talentos, que nos ensinou o respeito à diversidade religiosa e a preservação da cultura afro-brasileira”, disse Fabya Reis, lembrando outras iniciativas, a exemplo do apoio ao documentário 'Alápini, A Herança Ancestral De Mestre Didi Asipá' e exposição no Teatro Castro Alves (TCA), também este ano.

Presenças - Também estiveram presentes nos atos a titular da SecultBA, Arany Santana, juntamente com o diretor do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), João Carlos Oliveira, e o presidente do Conselho Estadual de Cultura, Emílio Tapioca, que formalizaram o tombamento do Asipá; além do dirigente da Fundação Pedro Calmon (FPC), Zulu Araujo; os deputados estaduais Bira Corôa e Fabíola Mansur; o vereador da capital Sílvio Humberto; dentre outras representações.

Uma vida dedicada à cultura afro-brasileira

Deoscóredes Maximiliano dos Santos (1917-2013), o Mestre Didi, foi escultor e escritor. Na infância aprendeu a manipular materiais, formas e objetos com as lideranças mais antigas do culto orixá Obaluaiyê. Entre 1946 e 1989 publicou livros sobre a cultura afro-brasileira, alguns com ilustrações de Carybé. Em 1966 viaja para a África Ocidental e realiza pesquisas comparativas entre Brasil e África, contratado pela Unesco. Nas décadas de 60 a 90 participa de institutos de estudos africanos e afro-brasileiros e atua como conselheiro em congressos com a mesma temática, no Brasil e no exterior.

Em 1980 funda e preside a Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Asipá, do culto aos ancestrais Egun, em Salvador. Foi coordenador do Conselho Religioso do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira, representando o país em eventos e mobilizações internacionais.
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