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04/12/2017 17:10

Festa de Santa Bárbara representa força, cultura e fé do povo em celebração no Pelourinho


Ao raiar do dia 04 de dezembro, já se podia perceber que não seria uma segunda-feira como todas as outras. No horizonte da manhã surgia o branco sobre o qual canta a sambista Claudete Macêdo, todos os anos, nesta mesma data. O Pelourinho se pintava de vermelho e a alvorada de fogos anunciava que a Festa de Santa Bárbara havia chegado. Conforme acontece há mais de 200 anos, a missa campal reuniu milhares de pessoas de diferentes crenças e religiões, unidas pela mesma fé na figura que, segundo os religiosos, comanda os raios, ventos e trovoadas, representando a força e o espírito aguerrido do povo em meio às dificuldades.

imagem santa barbara

Guardiã oficial da Festa de Santa Bárbara, a Ordem do Rosário dos Pretos conduziu a missa campal, celebrada pelo padre Lázaro Muniz, que contou um pouco da história da padroeira dos Bombeiros e dos mercados. “Bárbara se preocupava com as pessoas e ansiava entender o porquê das coisas, da natureza, da criação. Quando encontrou os cristãos descobriu uma razão para as suas perguntas e abraçou a fé”, explicou o padre.

O culto a Santa Bárbara existe há cerca de 375 anos. A festa permanece com um forte apelo junto ao povo, abrindo oficialmente o calendário das festas populares da Bahia. Para a secretária de Cultura do Estado, Arany Santana, momentos de dificuldade tornam ainda mais propício ao povo abraçar a fé. “Eu acredito que as mulheres e homens dessa terra veneram a Santa Bárbara porque ela nos dá força para caminhar diante das adversidades, como o racismo, a desigualdade. Sua história inspira, especialmente as mulheres negras, que trabalham e lutam por suas famílias e por um futuro melhor. Cada ano que passa essa festa se torna maior, assim como a fé das pessoas, que comparecem em massa para celebrar e festejar” reflete a secretária.

Já a titular da Sepromi, Fabya Reis, destacou que as festividades foram marcadas pelo grande diálogo interreligioso, com presença expressiva das religiões de matriz africana. “Vivemos um momento importante de celebração das coletividades, de renovação dos compromissos pelo enfrentamento a todas as formas de intolerância. Trata-se da festa da diversidade religiosa e de fortalecimento das culturas identitárias do nosso povo”, ressaltou a gestora.

Homenagens - A celebração religiosa foi marcada por homenagens e ofertas dos fieis. Flores e acarajés foram alguns dos itens mais depositados no altar. A baiana Tereza Conceição, 65, participa do ofertório há 30 anos, desde que começou a trabalhar com a venda de acarajé. “Santa Bárbara que é a dona do acarajé. Então a baiana, antes de ir pro ponto, tem que se apegar a ela, pedir com fé que alcança”, conta a baiana, que usa uma saia branca com bordados vermelhos, identificando-se com a Festa de Santa Bárbara.


santa barbara


A missa trouxe cânticos entoados pelo Coro da Rosário dos Pretos, além da participação da sambista Claudete Macêdo, cuja participação é sempre aguardada e reverenciada na festa, e Mariene de Castro, que ainda fará show no Largo do Pelourinho à noite.

Após o encerramento da missa o cortejo seguiu pelo Terreiro de Jesus, Praça da Sé, Rua da Misericórdia e Ladeira da Praça, levando Santa Bárbara até o quartel do Corpo de Bombeiros, na Barroquinha, onde foi reverenciada pela comunidade e pelos bombeiros militares, que a tem como padroeira. O cortejo seguiu pela Baixa dos Sapateiros até retornar para a Igreja do Rosário dos Pretos, no Pelourinho.


*Com informações da SecultBA.
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