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12/02/2018 09:00

Afoxé Filhos de Gandhy mantém tradição e resistência do povo negro

Com 69 anos de história, o afoxé Filhos de Gandhy desfila mais uma vez no Carnaval de Salvador, espalhando a mensagem de paz aos foliões. Pouco antes da tradicional saída do cortejo neste domingo (11), no Pelourinho, a sede da organização foi visitada pelo governador Rui Costa, que esteve acompanhado de titulares de diversas secretarias estaduais, a exemplo das secretárias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Fabya Reis, e da Cultura (Secult), Arany Santana.

O bloco afro, fundado por estivadores da capital baiana, leva para os circuitos da folia o tema “Do cais do Porto para o Mundo”. O afoxé foi contemplado com recursos do Governo do Estado, por meio de ações do projeto Carnaval Ouro Negro.

Na ocasião, Rui Costa propôs ao presidente da entidade a criação de um memorial para contar história, “com imagens digitais, vídeos, fotografias, fantasias”, do bloco, que o governador considera como “um patrimônio cultural que pode e vai, com certeza, atrair muita visitação”, dos baianos e turistas.

“Quem visita a Bahia, o Pelourinho, precisa conhecer revisitar essa história do Gandhy. Eu pedi que o presidente apresentasse um projeto para que a gente pudesse levantar esse acervo, nas televisões, na Biblioteca Central [Biblioteca Pública do Estado], com fotografias antigas, para recontar como surgiu o Gandhy, a sua história, a sua tradição e simbologia. Com isso, acho que a gente vai botando conteúdo na história da Bahia”, afirmou o governador.

Segundo Rui, atualmente a história do Gandhy é contada apenas de forma verbal, que, com o passar dos anos, pode se perder. “Então, é preciso que a gente materialize isso e possa transformar esse espaço num grande memorial, para quem vir curtir o Carnaval e nos visitar ao longo do ano conheça um pouco mais sobre o surgimento do bloco. O Olodum fez esse movimento, o mesmo aconteceu com o Ilê. Enfim, nós precisamos consolidar a nossa cultura, nossa história, a nossa tradição. Isso aqui é um museu vivo”.

A secretária da Sepromi destacou a atuação do Gandhy no Carnaval da Bahia e ao longo do ano, sobretudo nas ações sociais que desenvolve. “A visita ao afoxé tornou-se uma agenda emblemática e representa, sobretudo, a reverência e reconhecimento a este trabalho de décadas de resistência do povo negro. O afoxé Filhos de Gandhy merece todo destaque pelos legados de preservação das culturas de matriz africana e disseminação da mensagem da igualdade racial”, enfatizou Fabya Reis.

O presidente do Gandhy, Gilsoney de Oliveira, ressaltou a importância do apoio do Governo do Estado para o bloco desfilar na avenida e pela iniciativa de transformar o espaço num grande memorial para fortalecer a memória dos Filhos de Gandhy. “Só tenho a agradecer ao Governo do Estado por fomentar a cultura, as entidades afrodescendentes num Carnaval tão difícil. Hoje o nosso maior recurso veio do Governo do Estado, que é nosso apoiador, nos dando esse suporte para a gente, que é muito necessário. As entidades de matrizes africana precisam desse apoio”, enfatizou Oliveira.

Programação - Nesta segunda-feira (12), o maior bloco de afoxé do Carnaval baiano faz seu desfile na Barra (Circuito Dodô). Na terça (13), o tapete branco retorna ao circuito Campo Grande, quando encerra sua participação na folia. Com cerca de seis mil integrantes, o bloco tem como marca os turbantes, as roupas brancas utilizadas por seus associados, além da alfazema e dos colares. O ritmo percussivo do grupo é utilizado para disseminar a cultura de paz baseada nos ensinamentos e filosofia de Mahatma Ghandi.

*Com informações da Secom-BA.
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