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Notícias

10/02/2019 17:00

Caminhada da Pedra de Xangô completa 10 anos na defesa da liberdade religiosa

Aconteceu neste domingo (10), em Salvador, a 10ª Caminhada da Pedra de Xangô, evento que movimentou o bairro Cajazeiras X. A atividade, que contou com apoio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), foi iniciada com o tradicional Padê de Exu, uma saudação para abrir os caminhos das centenas de religiosos de matriz africana. Na sequência, os participantes seguiram em cortejo pela Avenida Assis Valente, até o monumento, que é considerado sagrado pelas religiões de matriz africana.

Atabaques, cânticos, capoeira, dentre outras manifestações marcaram a caminhada, com público vestido de branco. Lideranças religiosas de diversos terreiros estiveram presentes, juntamente com a idealizadora da caminhada, Mãe Iara de Oxum, que ressaltou que o evento impulsiona a mensagem pela busca da justiça e contra a intolerância religiosa.

A Caminhada da Pedra de Xangô, mostra sua força, com mais uma edição, agregando uma grande diversidade de representações das religiões de matriz africana e lideranças locais. É momento de reafirmar os compromissos pela preservação deste espaço sagrado, seguir firme nas políticas de enfrentamento à intolerância religiosa” disse a titular da Sepromi, Fabya Reis. Ela acrescentou que o Governo do Estado soma esforços à sociedade civil, através do Centro de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, para recepção de denúncias, mediação e acompanhamento nos casos relacionados.

 

No início do mês de janeiro Pedra de Xangô foi alvo de intolerância religiosa, quando uma grande quantidade de sal grosso foi depositada no espaço. Depois do ocorrido a Sepromi intensificou as discussões com lideranças da comunidade, dialogando sobre a construção de estratégias conjuntas pela preservação e implementação de políticas estruturais no entorno do monumento.

Histórica de resistência - Localizada na avenida Assis Valente, a pedra também é símbolo da luta pela libertação, pois ali se reuniam os negros no período colonial para organização do quilombo conhecido como Buraco do Tatu. A construção da via valorizou comercialmente a região e, desde a inauguração em 2010, os rumores de destruição do rochedo crescem junto com a especulação imobiliária, deixando a pedra exposta a atentados de intolerância religiosa.

Xangô, um dos principais orixás no panteão africano, é o patrono da justiça. Kaô kabiesilê, sua saudação, em tradução aproximada para o português, significa “o rei quis assim”. Tem como parceira mais constante a orixá Iansã, embora se relacione também com Obá e Oxum.

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