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04/03/2019 08:00

Filhos de Gandhy comemoram 70 anos de tradição e resistência negra

As ruas do Pelourinho se transformaram num tapete humano azul e branco, neste domingo (3), quando o afoxé Filhos de Gandhy, apoiado pelo Carnaval Ouro Negro, do Governo do Estado, partiu em direção ao Campo Grande. Reunindo uma multidão de baianos e turistas sob a força da saudação 'ajayô', mais uma vez, a mensagem foi de paz. A titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) acompanhou a concentração, no Largo do Pelourinho, onde também visitou a sede da organização.

O presidente do bloco, Gilsonei de Oliveira, fala sobre a história do afoxé. “Nos anos 40, após a morte do pacifista Mahatma Gandhi, pensou-se em fazer um bloco. Se juntou à afrodescendência baiana e há 70 anos vem mantendo essa tradição e essa cultura. Ser Filho de Gandhy é amor, é dedicação, é candomblé, é ideologia, é ter a paz no coração, é tudo o que tem de mais belo dentro dessa nossa Bahia”, disse.

“Não poderíamos deixar de prestigiar mais uma saída do afoxé Filhos de Gandhy, o nosso tapete branco da paz. Trata-se de um ano emblemático, sobretudo para uma organização que comemora 70 anos de tradição, de construção da igualdade e de combate ao racismo. Esta é, sem dúvidas, uma das maiores expressões da resistência negra do Brasil, para o qual rendemos nossa reverência e respeito”, destacou a secretária da Sepromi.

A imagem conhecida no mundo inteiro é uma identidade, segundo o segurança Reginaldo Caetano dos Santos, que há mais de 30 anos faz parte do afoxé. “Sou Gandhy o ano todo. Visto a camisa para ir para o trabalho todos os dias. É muito bom, é preciso amar essa entidade todos os dias, se dedicar, ter orgulho, ter amor”.

A riqueza de detalhes da indumentária repleta de tradição e religiosidade de matriz africana movimenta a economia. A costureira Raquel Fernandes confecciona os famosos turbantes há mais de 15 anos nas ruas do Pelourinho. “Eu faço isso pela tradição. A energia do Gandhy puxa a gente. E tem o trabalho. A gente trabalha três quatro, até oito dias aqui e ganha bem, reforça o orçamento”.

Ouro Negro

Segundo a secretária da Cultura, Arany Santana, o Ouro Negro, que apoia o Gandhy, está fazendo 12 anos e tem grande importância. “As entidades, antes do programa, tinham sérias dificuldades para sair no Carnaval. Esses blocos estavam desaparecendo, como as escolas de samba que existiam e não existem mais, diversos afoxés já sumiram. E com o Ouro Negro, muitas entidades renasceram. São entidades que desenvolvem trabalhos ao longo do ano em suas comunidades, oficinas de profissionalização, indumentária, fabricação de instrumentos, promovem a alfabetização, cursos de línguas africanas, então essas entidades prestam serviços importantes ao longo do ano”.

A folia recebe um investimento de R$ 90 milhões, em todas as frentes de atuação do Governo do Estado. Além de cultura, os recursos vão para segmentos como segurança, saúde, igualdade racial e de gênero, direitos humanos e trabalho. No interior, mais de 30 cidades também possuem programação nesses dias de festa.


*Com informações da Secom / Repórter: Raul Rodrigues

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