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Notícias

09/10/2021 08:20

Mulheres negras empreendem com penteados afro em Lauro de Freitas

Aurelina de Oliveira, 36 anos, conhecida como Nana, fundadora do Centro de Referência Nana África, em Lauro de Freitas, leva empoderamento e empreendimento às mulheres locais, com ensinamentos relacionados às culturas da matriz africana, a exemplo da produção de tranças e turbantes. O projeto existe há 18 anos, atendendo mulheres periféricas, agora contando com apoio da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas, através da Secretaria da Juventude (SEJU).

“Minha ideia é fazer um trabalho de convivência e consciência, com cuidados e ensinamentos para além do trançar cabelo e ganhar dinheiro. É conhecimento para a vida” diz Nana. A empreendedora sempre trabalhou com crianças e, quando surgiu a oportunidade de atuar com mulheres, soube abraçar o momento e agregar empreendedoras de diversas idades ao curso.

O work shop dessa temporada tem duração de 10 dias para mulheres da comunidade, com aulas diárias divididas em dois turnos, beneficiando um total de 74 mulheres, de idades entre 15 e 50 anos.

Após esse período, o objetivo é expandir para toda a cidade de Lauro de Freitas, passando ensinamentos históricos e de empreendedorismo através da arte trancista, de forma gratuita. “Aqui fazemos toda uma preparação antes de pegar na cabeça. Somos psicólogas umas das outras. Não dá pra levantar essa bandeira de que mulher que não se une. Nosso projeto tem como característica elevar a autoestima, conhecer outras mulheres e auxiliar no que for preciso. Conheço cada uma de minhas alunas e nossa frase de efeito é: Somos mulheres na medida certa”, conta Nana.

Para Jamile do Carmo, 28 anos, o projeto “é importante para nivelar e disseminar os conhecimentos culturais e aprender uma profissão enquanto trancista para sustentar a família. Sem tirar o espaço de ninguém, para que todo mundo cresça”.

Já Renata Melo acrescenta que entrou no projeto para se aprimorar neste ofício. Por medo, não desenvolvia suas atividades e sua mãe a motivou a aprender. Para ela, a união das profissionais no curso estimula a desenvolver mais amor pela profissão. “Aqui a gente aprende de tudo um pouco. Quero no futuro abrir um studio com minha cunhada para viver disso”, relata.

Aline Patrícia, de 32 anos, é trancista há muitos anos. Ainda assim, afirma ter entrado no curso muito insegura. Relata que aprendeu bastante e adquiriu autoconfiança. “Tinha métodos que eu não sabia. Aprendi e desenvolvi aqui, aprimorando a cada dia”, explica.

O conhecimento não tem idade. E Joelma dos Santos Borges, 49 anos, afirma que se sente tão jovem quanto o projeto Empreende Jovem. Afirma que as aulas ensinaram a conhecer ainda mais sobre as políticas públicas e estruturas governamentais no município. “Eu não sabia quantas secretarias a gente tinha, como o município funcionava. Aprendi tudo isso, mesmo nessa idade, num programa voltado aos jovens”, pontua.

O projeto acontece no intuito de aprimorar o conhecimento de quem já trabalha com penteados afros e, também, para o público que deseja desenvolver suas habilidades, além de reafirmar sua identidade cultural. As aulas foram desenvolvidas na Escola Municipal 2 de Julho, no bairro Itinga. O encerramento aconteceu nesta sexta-feira (8), divulgando os penteados produzidos ao longo do curso.

Texto e fotos: Isis Braz
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